Vita Hábil - Soluções em Reabilitação

Biblioteca da TO
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26/04/2011

Atrás da Porta que se Abre

O trabalho que  Ana Paula  vem desenvolvendo, desde a sua graduação na
Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), o mestrado na Universidade
Estadual de Campinas (UNICAMP) e até o seu cotidiano profissional, traça um
percurso de buscas e de encontros que nos tem possibilitado compreender as
proposições nas áreas de terapia ocupacional, educação e saúde pública no campo
social, e desenhar, a partir do Projeto METUIA, grupo interinstitucional do qual
fazemos parte, a terapia ocupacional social, bem como a ação social - um campo de
interfaces composto de núcleos de especificidades. Este livro inscreve-se nesta ordem de preocupações, a partir de princípios teóricos e
metodológicos que têm nos referenciado: - a organização social em que vivemos é,
estruturalmente, contraditória e conflituosa; - o "particular" sobre o qual podemos nos
debruçar com cuidado é, também, expressão do "geral/universal" que, muitas vezes,
nos escapa na questão concreta; - aquilo que se nos apresenta como história,
pessoal ou coletiva, não pode apenas deter-se no factual, nem apenas na sua
descrição, precisa ousar, apoiando-se no rigor teórico e empírico da experiência
social, ser interpretativa e, dessa maneira, ter a  clareza de que valores estão,
permanentemente, presentes.
Na busca de respostas para problemas concretos como, por exemplo: por quais
caminhos se produz a exclusão social, a vulnerabilidade e a dor da incompreensão
de seu modo de ser e de agir para uma menininha de apenas cinco anos de idade
em sua família, no seu pátio de brincadeiras na comunidade de um conjunto
habitacional popular com outras crianças, no seu cotidiano na escola infantil e com
sua professora? Como abordar essa realidade por meio de categorias como políticas
públicas, cidadania e direitos e como abordá-la sem elas? De que modo pensar
família, cuidado e acolhimento para aquela menina em particular e não falar de
afetos, de pobreza, de acesso a bens sociais, ou seja, de suporte pessoal e social?
De quais maneiras articular indivíduo concreto e suas demandas e a ação técnica,
sem avançar pelas questões sociais, econômicas e culturais? Sem fazer política? De quais maneiras articular indivíduo concreto e suas demandas e a ação técnica,
sem avançar pelas questões sociais, econômicas e culturais? Sem fazer política?
Política aqui entendida como a intervenção no espaço público, como nos ensina
Hannah Arendt.
São essas categorias, a partir da dor e da beleza do sorriso daquela menininha e,
ainda, de outros meninos e meninas, que Ana Paula tratou de compreender, a fim de
apresentar e analisar algumas das experiências desenvolvidas na comunidade
representada pela Associação de Construção por Mutirão do Casarão, que integra o
Movimento de Luta por Moradia Urbana, na cidade de São Paulo, em seu diálogo
com o movimento social organizado, com o poder público e com a sociedade civil.
A pesquisa que deu origem a este livro enfrentou o desafio de refletir sobre os temas
das políticas públicas e dos movimentos sociais, tendo como referência experiências
concretas, embasando-se nas práticas cotidianas, nos discursos, nas vivências e
nos diversos saberes.
Convido você, leitor, a compartilhar dos caminhos deste trabalho, igualmente, um
processo de ação técnica e política, de compromisso pessoal e profissional, de parte o que é e do que faz Ana Paula Serrata Malfitano.
 
Po: Roseli Esquerdo Lopes
Professora Associada do Departamento de Terapia Ocupacional e do Programa de
Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de São Carlos

 

Fonte: Cadernos de Terapia Ocupacional da UFSCAR
Autor: Ana Paula Serrata Malfito
www.cadernosdeterapiaocupacional.ufscar.br/index.php/cadernos/article/viewFile/343/276