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05/08/2011

A PERCEPÇÃO DOS OPERADORES SOBRE A SUA CONDIÇÃO DE TRABALHO

                                                                                       
A PERCEPÇÃO DOS OPERADORES SOBRE A SUA CONDIÇÃO DE TRABALHO: COMPARANDO O ANTES E O DEPOIS DA INTERVENÇÃO ERGONÔMICA EM UMA  REFINARIA DE PETRÓLEO BRASILEIRA
 
Daniela da Silva Rodrigues; Fabrício Augusto Menegon, M. Sc.; Michel Silvério; Andréa Regina Martins Fontes, M.  Sc.; Nilton Luiz Menegon, Dr.
 
 
Email: danielarodrigues@dep.ufscar.br
Grupo Ergo&Ação/ D.E.P./ Universidade Federal de São Carlos
Rod. Washigton Luiz, Km 235 - 13565-905 - São Carlos - SP - Brasil.
 
Palavras-Chave: intervenção ergonômica, percepção, refinaria de petróleo.
 
A finalidade deste estudo é a de avaliar, a partir da aplicação de questionário semi-estruturado, a percepção dos
operadores sobre sua atividade de trabalho frente às intervenções ergonômicas realizadas em uma refinaria de
petróleo. O questionário foi aplicado a quinze operadores em dois postos de trabalho diferentes, considerando
questões de segurança, acessibilidade e estabilidade postural. Os resultados apontam  para uma percepção
positviva dos operadores sobre as intervenções ergonômicas. As conclusões demonstram que as ações
ergonômicas melhoram a atividade de trabalho, refletindo na saúde, segurança, confiabilidade e produtividade
do operador.
 
Key-words: ergonomics intervention, perception, oil refinery.
 
This paper presents the result of a study to evaluate the perception of operators about  their work activity after
ergonomic interventions realized in an oil refinery. The  semi-structured questionnaire was applied to fifteen
operators in two different jobs; it considers issues of security, accessibility and postural stability. The results
indicate a positive  perception  of operators on ergonomic interventions. The conclusion shows that the
ergonomic actions improve the activity of work, reflect the health, safety, reliability and productivity of the
operator.

1. INTRODUÇÃO
 
De acordo com FERREIRA & IGUTI (2003), o
ambiente de trabalho de uma refinaria engloba
atividades de manobras; bloqueios ou abertura de
válvulas, drenos, vasos; presença de trajetos sinuosos e
caminhos próximos a eletrodutos; além de rotinas de
inspeção de área dentro de um contexto vinculado a um
processo contínuo e complexo.
 
O determinismo técnico, ainda observado no processo
de concepção e instalação de equipamentos nas
unidades de uma refinaria de petróleo, com certa
freqüência desconsidera "o lugar incontornável do
homem no sistema de produção" (GUÉRIN et al.,
2001) e valoriza aspectos de ordem econômica e de
produtividade. À medida que os operadores interagem
com a nova situação de trabalho, se revelam as
incompatibilidades resultantes desta desconsideração e
se desenvolvem constrangimentos a serem tolerados
pelos operadores. Há, portanto, um volume de
demandas ergonômicas acumulados durante décadas de
história de construções e modernizações das refinarias
de petróleo brasileiras.
 
A interação entre os diferentes atores (engenheiros,
projetistas e trabalhadores) nos projetos de concepção e
correção dos sistemas produtivos é essencial para
alinhar as metas de desempenho destes sistemas as
reais características de sua operação (ambiências
físicas, restrições operacionais, necessidade de
manutenção, acessibilidade, etc.). No entanto,
BÉGUIN (2008) alerta para o fato de que a condição
para essa aproximação se sustenta na necessidade de
reconhecimento mútuo das contribuições específicas
destes diferentes atores e, particularmente, dos
trabalhadores ou usuários finais dos novos dispositivos.
 
Quando se trata de estudos ergonômicos, muitas vezes
é reservado aos trabalhadores um papel de
"fornecedor" de informações para que o especialista
avalie as condições de trabalho e aponte o que é
considerado enquanto adequado e inadequado.
WISNER (1987) refuta esse ponto de vista quando
argumenta que o trabalhador deve ser o sujeito de seu
próprio estudo, e não objeto dele.

Ao romper com esse paradigma, a ação ergonômica
valoriza a participação do trabalhador no processo de
desenvolvimento de situações produtivas.  
 
O discurso dos operadores, tanto no início da análise
como na validação da implantação, é uma fonte de
dados indispensável à ergonomia, sendo a linguagem é
a expressão direta dos processos cognitivos utilizados
pelo operador para realizar a tarefa (MONTMOLLIN,
1984),

2. OBJETIVO
 
Este estudo tem por finalidade avaliar a percepção dos
operadores, a respeito da sua atividade de trabalho
frente às intervenções ergonômicas implantadas na
central termoelétrica de uma refinaria de petróleo, com
a aplicação de um questionário semi-estruturado. O
questionário foi usado como instrumento para
confrontar e comparar a situação de trabalho existente
antes da intervenção ergonômica e a situação após as
adaptações nos locais de trabalho.

 
3. MÉTODO
 
Esse estudo foi conduzido a partir de um programa de
ergonomia instituído numa refinaria de petróleo. O
escopo do programa busca reconhecer as situações que
apresentem riscos ergonômicos nas áreas da refinaria e
instalar melhorias para a mitigação destes riscos.
Embora o programa tenha abrangência geral na
refinaria, esse estudo limita-se a apresentar os
resultados da percepção dos operadores sobre as
condições antes e após uma intervenção ergonômica
em duas tarefas específicas na área da Central
Termoelétrica (CTE) da refinaria. A primeira tarefa era
denominada pelos operadores como alinhamento ou
bloqueio de WD e condensados para o vaso V-94
(tarefa A). A segunda tarefa era denominada inspeção e
manutenção da torre de refrigeração do ar
condicionado da CCL-10 (tarefa B).
Participaram do estudo quinze operadores que
trabalhavam na CTE entre os meses de outubro a
dezembro de 2007. Todos os operadores responderam
o questionário tanto da tarefa A como da tarefa B.
 
A refinaria organizou um subcomitê multiprofissional
de ergonomia cujo objetivo foi elaborar um
levantamento de demandas ergonômicas nas diversas
áreas da unidade. O conjunto de demandas foi
apresentado ao grupo de pesquisa Ergo&Ação/DEP/UFSCar que, em conjunto com o
subcomitê, estabeleceu os recortes de análise e
elaborou a priorização das ações com foco na caracterização das tarefas dos operadores e elaboração
de um diagnóstico sobre as demandas levantadas.
 
A fim de compreender o trabalho dos operadores foram
conduzidas visitas as áreas operacionais. Foram
realizadas filmagens e fotografias das situações de
trabalho, entrevistas com os operadores, técnicos de
manutenção e supervisores e consultas a padrões de
procedimento estabelecidos pela refinaria.
 
As tarefas foram caracterizadas detalhadamente e
serviram de referência para a elaboração de um
diagnóstico sobre as situações observadas. Foi utilizado
o instrumento Ergonomic Workplace Analysis (EWA)
proposto pelo Instituto Finlandês de Saúde
Ocupacional (AHONEN, LAUNIS & KUORINKA,
1989) para estabelecer os critérios utilizados para o
diagnóstico de cada situação.
 
Fundamentados na observação das situações de
trabalho e no reconhecimento dos constrangimentos
das tarefas, foram elaborados projetos de soluções com
o intuito de promover melhorias para cada situação. No
caso das situações analisadas na CTE, os principais
constrangimentos estavam relacionados à dificuldade
de acesso a bloqueios, presença de tubulações no
trajeto utilizado pelos operadores, adoção de posturas
desfavoráveis e instabilidade postural durante a
execução de rotinas e manobras operacionais.
Cada projeto foi comentado e validado pelos
operadores das áreas. A construção e montagem das
soluções foram encomendadas a uma empresa
terceirizada com o acompanhamento direto do grupo de
pesquisa e de representantes do subcomitê de
ergonomia da refinaria.
 
Após a construção dos dispositivos e liberação para o
uso, procedeu-se a avaliação com os operadores acerca
das condições do trabalho antes e após a intervenção
ergonômica por meio da aplicação de um questionário
semi-estruturado de avaliação, elaborado pelo grupo de
pesquisa Ergo&Ação/DEP/UFSCar, tomando como
base o questionário apresentado por Souza e Menegon,
2002. O questionário foi usado como instrumento para
confrontar e comparar a condição de trabalho existente
antes e após as intervenções ergonômicas.
 
Para situar o operador sobre qual local de trabalho
estava em avaliação, o questionário elaborado trazia
informações específicas de cada situação (descrição
dos constrangimentos observados na análise e
fotografias da situação antes e depois da intervenção
ergonômica) e foi formulado com duas questões: 1) Qualidade do trabalho executado na situação antes e
após a modificação e, 2) Análise do operador frente à
melhoria.
 
A questão 1 buscava comparar aspectos caracterizados
no diagnóstico da situação de trabalho, tais como
questões de segurança, acessibilidade e estabilidade
postural. Para a classificação do comparativo das
situações, aplicou-se uma escala subjetiva de
percepção, numerada de zero a dez, considerando a
condição para execução da atividade nas situações
antes e após as intervenções ergonômicas, com um
campo para comentários descritivos.  
 
A questão 2 era composta de um campo para sugestões
dos operadores frente as melhorias instaladas e buscava
proporcionar um espaço para impressões individuais
sobre aspectos relacionados com as mudanças advindas
da intervenção ergonômica.
 
Os dados obtidos foram tratados de forma descritiva,
por meio da elaboração de gráficos que mostrassem a
percepção de cada operador entrevistado sobre as
atividades avaliadas. Foi calculada a média das notas
assinaladas pelos operadores para a condição antes e
depois, nas duas situações estudadas. Não foram
realizadas análises estatísticas dos dados.

4. RESULTADOS
 
Os dados obtidos a partir da aplicação do questionário
de percepção para a comparação das situações A e B
antes e depois da intervenção ergonômica
demonstraram que as modificações proporcionadas
pela intervenção em ambos os casos foram percebidos
de forma positiva pelos operadores.
 
A partir da figura 1 pode-se notar que para os
operadores houve melhora na percepção da situação de
trabalho A após a intervenção ergonômica, de 3,2 para
8,5 pontos, em média. De acordo com o a figura 1, para
a situação antes da intervenção ergonômica as notas
assinaladas variaram entre zero e seis pontos. Já para a
situação depois da intervenção as notas demonstraram
uma variação entre sete e dez pontos. A figura 2 evidencia uma melhora na percepção da
situação de trabalho B após a intervenção ergonômica
de 2,7 para 9,0 pontos em média. A figura 2 demonstra
também que na pontuação da escala de zero a dez, a
percepção dos operadores sobre a situação variou de
zero e seis pontos antes da intervenção ergonômica e
de oito a dez pontos depois da intervenção.
 
De modo geral o que se nota é uma percepção positiva
entre os operados sobre o local de trabalho após a
intervenção ergonômica, em ambas as situações
analisadas.
 
Esses resultados são confirmados analisando-se o
relato dos operadores que destacam significativa
melhora na execução do trabalho após as implantações
ergonômicas. Na fala dos operadores, os aspectos mais
relevantes das situações analisadas, tais como a
necessidade de acessos adequados para o local da
manobra, estabilidade postural e segurança para
executar a tarefa foram contemplados com a
intervenção. Abaixo estão algumas falas dos operados
sobre as modificações adquiridas com a intervenção
ergonômica:
 
"A plataforma antiga era deficiente e não possibilitava
acesso a todos os bloqueios e também era insegura
pela ausência de corrimão. A nova instalação é bem mais adequada, pois possibilita fácil acesso as
válvulas e a condição ergonômica melhorou
consideravelmente, em relação à primeira. A estrutura
é firme e bastante segura para as atividades que se
realizam sobre ela". (Situação A - Operador 1)
 
"Indiscutível melhora na realização de tarefas junto ao
vaso, pois os acessos anteriores só contribuíam para
condições inseguras". (Situação A - Operador 2)
 
"Nas condições antes das mudanças o acesso era
dificultoso e complicado, com a obrigatoriedade de se
caminhar e saltar sobre linhas de vapor e água. O
acesso à torre de resfriamento do ar condicionado era
totalmente inadequado e em dias chuvosos a superfície
se tornava escorregadia e propensa a risco de
acidente. Já no atual cenário o acesso se tornou
facilitado e bastante adequado e também rápido, sem
ter obstáculos, uma vez que a plataforma está sobre as
linhas". (Situação B - Operador 4)
 
"Sem dúvida estas plataformas eram mais do que
necessárias para a segurança de manobras cotidiana,
elas ficaram muito boas". (Situação B - Operador 10)
 
"Menor esforço devido ao tipo de escada e acesso
adequado às regiões superiores da CTE" (Situação B -
Operador 8) "Melhorou a maneira de visualizar o mancal"
(Situação A - Operador 7)
 
As falas dos operadores também destacam outros
constrangimentos que, embora tenham sido observados
no processo de análise, não puderam ser contemplados
na intervenção ergonômica, uma vez que remetem para
as instalações gerais da refinaria. As sugestões
relatadas foram:
 
"Mudar as linhas e válvulas seria a única forma de
melhorar o que se atingiu com o novo acesso".
(Situação A - Operador 3)
 
"Melhorar a localização das válvulas e acessórios dos
equipamentos, evitando situações inseguras".
(Situação A - Operador 8)
 
Essas considerações sobre a nova situação de trabalho,
presentes nas falas dos operadores indicam que a
intervenção ergonômica transforma o local de trabalho
Algumas mudanças refletiram na percepção dos
operadores em outras dimensões de trabalho antes não
observadas pelos mesmos na análise da tarefa, como relatou o operador 7 sobre a melhora da visualização
do mancal.  
 
Pode-se concluir que a avaliação da percepção dos
operadores possibilitou a aproximação da situação real
de trabalho, dentre os diferentes aspectos que nela
estão presentes, bem como a importância do papel dos
atores envolvidos na validação da intervenção
ergonômica.
 
5. DISCUSSÃO / CONCLUSÃO
 
Pelas análises dos diálogos dos operadores e pelas
respostas relacionadas aos itens antes e depois do
questionário das tarefas A e B da área em questão,
notou-se que, de maneira geral, as intervenções
ergonômicas garantiram nas situações analisadas
espaços de trabalho sem restrições de movimentos,
segurança e confiabilidade para a atividade.
 
A fala dos operadores permitiu ainda identificar que as
modificações no ambiente de trabalho melhoraram as
condições de acesso aos locais, dentre eles para
movimentação ou inspeção de válvulas e visualização
dos mostradores.
 
Na análise do questionário referente ao item
"sugestão", observou-se que os operadores apontaram
novos constrangimentos criados com as modificações proporcionadas pela intervenção ergonômica sobre a as
situações A e B. Em geral, os comentários apontam
para novas correções em seu espaço de trabalho.
 
FONTES et al, 2008 assinala que o processo de
construção da intervenção ergonômica transforma as
situações de trabalho, estabelecendo uma nova
condição para a atividade. A nova situação exigirá uma
reelaboração das atividades reais de trabalho, uma vez
que novos constrangimentos surgem no processo e são
incorporados nas situações de trabalho.
 
A validação após as modificações é um procedimento
determinante, uma vez que os operadores detêm do
conhecimento e experiência da atividade.  
 
Neste sentido pode-se dizer que a validação das
intervenções ergonômicas faz parte do método de
análise participativa onde pesquisador e participante da
situação estão envolvidos de modo cooperativo na
busca de soluções (THIOLLENT, 1996), e que esta é
de fundamental importância, já que permite identificar
a efetividade das soluções adotadas bem como o
surgimento dos novos constrangimentos.
 Para DARSES & REUZEAU (2007), aceitar que os
trabalhadores sejam partes integrantes da concepção de
seu sistema de trabalho vai além de reconhecer o valor
das experiências adquiridas no cotidiano, mas,
sobretudo reconhece um direito deles à decisão.
 
A avaliação da percepção do operador frente às
modificações no ambiente de trabalho não constitui um
método para simples verificação da aprovação ou não
de uma solução proposta para reduzir os
constrangimentos de uma tarefa. Ela deve ser entendida
como etapa componente da ação ergonômica, uma vez
que provoca considerações que somente podem ser
feitas a partir da interação do usuário com o novo
dispositivo.

AGRADECIMENTOS
 
À Refinaria de Petróleo.
Aos trabalhadores da Central Termoelétrica.
 
6. REFERÊNCIAS
 
AHONEN, M.; LAUNIS, M.; KUORINKA, T. (Eds.)
Ergonomics Workplace Analysis. Helsink: Finnish
Institute of Occupational Health/Ergonomics Section, 1989.
34 p.
BÉGUIN, P. Workers-Designers Interactions: A
Developmental Approach for an Innovative Design. In:
SZNELWAR, L. I.; MASCIA, F. L.; MONTEDO, U. B.
(Eds.) Human Factors in Organizational Design and
Management - IX. São Paulo: Blücher, 2008. p. 585-590.
DARSES, F.; REUZEAU, F. Participação dos Usuários na
Concepção dos Sistemas e Dispositivos de Trabalho. In:
FALZON, P. Ergonomia. São Paulo: Blücher, 2007. p. 343-
356.
FERREIRA, L. L.; IGUTI, A. M. O trabalho dos
Petroleiros: perigoso, complexo, continuo e coletivo. São
Paulo: Fundacentro, 2003, p. 156.
FONTES, A. R. M.; MENEGON, F.A.; RODRIGUES, D.S.;
MENEGON, N. L. Process of Ergonomic Intervention in
an Oil Refinery: Typification of Solutions in the Context
of Ergonomics. Human Factors in Organizational Design
and Management - IX. São Paulo: Blücher, 2008. p. 217-DURAFFOURG, J; KERGUELEN, A. Compreender o
trabalho para transformá-lo. A prática da Ergonomia. 2
ed. São Paulo: Edgard Blücher - Fundação Vanzolini, 2001.
200 p.
MONTMOLLIN, M. L`Intelligence de la Tache. Eleménts
d`Ergonomie Cognitif. Berne: Peter Long, 1984.
SOUZA, T. O.; MENEGON, N.L. Estratégia de Avaliação
de Ferramentas Manuais Focada na Percepção dos
Trabalhadores. XII Congresso Brasileiro de Ergonomia.
Abergo, Recife, 2002. THIOLLENT, M. Metodologia de pesquisa-ação. São
Paulo: Cortez, 7 ed , 1996, 108 p.
WISNER, A. Por dentro do trabalho: ergonomia métodos
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GUÉRIN, F; LAVILLE, A; DANIELLOU, F;
 
 
 
 

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